Infiltrações e PRP no quadril: é possível tratar a artrose sem cirurgia?
- Dr. Rangel Menegatti

- 13 de mai.
- 3 min de leitura
Atualizado: 15 de mai.
Para muitos pacientes, a resposta é sim. Entenda quando os tratamentos minimamente invasivos funcionam, o que cada um faz dentro da articulação — e quando a cirurgia ainda é o melhor caminho.

Nem toda dor no quadril precisa de cirurgia. Essa é uma das primeiras informações que passo aos meus pacientes — e isso já alivia muita gente que chega ao consultório já esperando o pior.
Existe um conjunto de tratamentos minimamente invasivos como infiltrações com corticosteroide, viscossuplementação com ácido hialurônico o e PRP (plasma rico em plaquetas) que podem aliviar a dor, reduzir a inflamação e melhorar a função articular sem nenhum corte, sem anestesia geral e sem internação.
Mas, esses tratamentos não são para todo mundo e não substituem a cirurgia em todos os casos. Neste artigo, explico como cada um funciona, para quem são indicados e quando está na hora de considerar uma abordagem mais definitiva.
Três opções principais, mas com propósitos diferentes:
1. Infiltração com corticosteroide (Anti-inflamatório):
Injeção de corticoide diretamente na articulação para reduzir a inflamação e controlar a dor de forma rápida. Indicado para crises agudas, artrose com componente inflamatório e preparação para fisioterapia ou cirurgia.
2. PRP — Plasma Rico em Plaquetas (Regenerativo):
Concentrado do próprio sangue do paciente, rico em fatores de crescimento, injetado na articulação para estimular a regeneração e reduzir inflamação crônica. Indicado para artrose leve a moderada - estágio inicial da doença articular.
3. Viscossuplementação (Lubrificante articular):
Injeção de acido hialurônico para restaurar a lubrificação natural da articulação, reduzindo o atrito. Indicada para artrose leve com perda de fluidez articular e dor mecânica sem grande componente inflamatório.
Como é feito o procedimento?
O procedimento é realizado no consultório ou em ambiente ambulatorial no hospital, com duração de poucos minutos. Utilizo ultrassom ou fluoroscopia para guiar a agulha com precisão até o espaço articular, o que aumenta a segurança e a eficácia do tratamento. Não há necessidade de internação.

A orientação por imagem (ultrassom ou fluoroscopia) é um detalhe técnico que faz grande diferença. Infiltrações feitas 'às cegas', sem serem guiadas por imagem, têm menor precisão e eficácia comprovada. Sempre pergunte ao seu médico se o procedimento será guiado. |
Para quem esses tratamentos são mais indicados?
Perfil 01 Artrose leve a moderada Pacientes com desgaste da cartilagem ainda em estágio inicial, que respondem bem a tratamentos conservadores. | Perfil 02 Quem quer evitar ou adiar a cirurgia Pacientes que tem indicação cirúrgica, mas precisam ou desejam protelar a intervenção por razões clínicas ou pessoais. | ||
Perfil 03 Idosos com alto risco cirúrgico Pacientes que não são bons candidatos à cirurgia por comorbidades, para quem o controle da dor é a prioridade. | Perfil 04 Pós-operatório e reabilitação Uso complementar à cirurgia para acelerar recuperação, reduzir inflamação residual e otimizar o resultado funcional. |
E quando esses tratamentos não são suficientes?
É importante ser honesto aqui: infiltrações e PRP não curam artrose avançada, não reparam lesões estruturais graves e não substituem a cirurgia quando ela é de fato necessária. Eles aliviam sintomas e podem retardar a progressão da doença — mas não revertem danos já consolidados.
Insistir em tratamentos paliativos quando a cirurgia já é necessária pode piorar o quadro. O desgaste continua progredindo, a musculatura enfraquece e o paciente chega para a cirurgia em uma condição mais desfavorável. A avaliação periódica com especialista é fundamental. |
Perguntas frequentes:
O PRP tem comprovação cientifica? Sim, há evidências crescentes na literatura médica para uso em artrose leve a moderada e lesões de tecidos moles – tendões, por exemplo. Os resultados variam entre pacientes e a indicação precisa ser individualizada. Não é uma 'cura milagrosa', mas um recurso legítimo com bom perfil de segurança. |
Quantas aplicações são necessárias? Depende do tipo de tratamento e da resposta individual. O corticosteroide geralmente é aplicado por um ou dois ciclos. O PRP e o ácido hialurônico costumam ser realizados em série de duas a três aplicações com intervalo de semanas. |
Os planos de saúde cobrem esses procedimentos? A cobertura varia bastante conforme o plano e o procedimento. A infiltração com corticosteroide costuma ter melhor cobertura. O PRP e a viscossuplementação frequentemente são realizados como procedimentos particulares. |
Posso fazer esses tratamentos sem consultar um especialista? Não é recomendado. A indicação correta depende de avaliação clínica completa e exames de imagem adequados. Tratamentos feitos sem diagnóstico preciso podem mascarar problemas que precisariam de abordagem diferente. |
Quer saber se você é candidato a tratamento sem cirurgia?
Na consulta, avalio o estágio da sua condição, explico todas as opções disponíveis e indico o caminho mais adequado para o seu caso — seja ele conservador ou cirúrgico. Atendo presencialmente em Porto Alegre e também realizo consultas online.





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