Síndrome da dor no trocanter maior: bursite trocantérica ou tendinite glútea?
- Dr. Rangel Menegatti

- há 4 horas
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A dor lateral do quadril é uma das queixas mais comuns e uma das mais confundidas. Entenda o que é a síndrome do trocânter maior, como diferenciar bursite de tendinopatia glútea e quais são as opções reais de tratamento.

Você sente uma dor na parte de fora do quadril (naquele 'osso saliente' na lateral) que piora quando dorme de lado, sobe escadas ou fica muito tempo em pé? Talvez já tenha ouvido falar em 'bursite de quadril' e imaginado que o problema está na bolsa sinovial que envolve esse osso.
Mas a medicina avançou. Hoje sabemos que a maioria dos casos diagnosticados como 'bursite trocantérica' na verdade tem origem diferente: uma lesão nos tendões dos músculos glúteos. A dor é muito parecida, mas a causa e o tratamento podem ser bem diferentes.
Neste artigo, explico o que é a síndrome da dor no trocânter maior, como diferenciar bursite de tendinopatia glútea e o que a medicina moderna oferece para tratar essas condições.
O que é o trocânter maior e por que ele dói?
O trocânter maior e uma proeminência óssea na parte lateral do fêmur — aquele 'osso que você sente' quando apoia a lateral do quadril. Nessa região se inserem tendões importantes dos músculos glúteos (glúteos médio e mínimo) e existe uma bolsa sinovial, chamada bursa trocantérica, que funciona como amortecedor entre esses tendões e o osso.

Quando qualquer uma dessas estruturas é sobrecarregada, inflamada ou lesionada, o resultado é a chamada síndrome da dor no trocânter maior (SDTM) — um conjunto de condições que se manifestam com dor na região lateral do quadril.
Bursite trocantérica x Tendinopatia glútea: qual é a diferença?
Durante décadas, toda dor lateral de quadril foi chamada de 'bursite'. Hoje, com exames de imagem de melhor qualidade (especialmente ressonância magnética), sabemos que as duas condições são distintas e exigem abordagens diferentes.
INFLAMACAO DA BOLSA - Bursite trocantérica Inflamação da bursa sinovial entre os tendões glúteos e o trocânter. Causa dor aguda, muitas vezes intensa, com piora ao toque direto. CARACTERÍSTICAS • Dor aguda e bem localizada na lateral; • Piora muito ao toque sobre o trocânter; • Pode surgir após queda ou trauma direto; • Responde bem a anti-inflamatórios e infiltração. | LESAO TENDÍNEA - Tendinopatia glútea Degeneração ou lesão dos tendões dos glúteos médio e mínimo. Causa dor crônica, frequentemente confundida com bursite. CARACTERÍSTICAS • Dor mais difusa, piora gradual ao longo de semanas; • Piora ao subir escadas, correr ou ficar de pé; • Dor ao dormir sobre o lado afetado; • Exige tratamento mais longo e específico. |
Na prática clínica, as duas condições podem coexistir — e frequentemente coexistem. Por isso, o diagnostico por imagem (ressonância magnética) é fundamental para identificar qual estrutura esta envolvida e orientar o tratamento corretamente. |
Quem está mais sujeito a desenvolver essa condição?
Perfil 01 Mulheres entre 40 e 60 anos A condição é 3 a 4 vezes mais comum em mulheres, pois a anatomia pélvica mais larga aumenta o ângulo de tração sobre os tendões glúteos. | Perfil 02 Corredores e esportistas Sobrecarga repetitiva nos tendões, especialmente em treinos mal distribuídos, subidas ou superfícies inclinadas. |
Perfil 03 Pacientes com artrose de joelho ou lombar Alterações na marcha causadas por outras condições ortopédicas sobrecarregam a musculatura lateral do quadril. | Perfil 04 Diferença de comprimento de membros Qualquer desequilíbrio biomecânico na pelve pode aumentar a tração sobre os tendões glúteos cronicamente. |
Como é feito o diagnostico?
O diagnostico começa pela consulta. Alguns testes físicos específicos (como o FABER, o sinal de Trendelemburg e a palpação direta do trocânter) já dão pistas importantes. Mas o exame que diferencia bursite de tendinopatia com precisão é a ressonância magnética do quadril.
O raio-X tem utilidade limitada nesse contexto, pois ele avalia os ossos, mas não mostra os tendões ou a bursa. Por isso, muitos diagnósticos antigos de 'bursite' eram feitos sem imagem adequada, o que levava a tratamentos incompletos ou ineficazes.
Se você foi diagnosticado com 'bursite de quadril' há anos e nunca melhorou completamente, vale rever o diagnóstico com ressonância magnética e avaliação por um especialista em quadril. É possível que a causa real seja uma tendinopatia glútea não tratada. |
Opções de tratamento: do conservador ao cirúrgico
O tratamento depende do diagnostico correto, da gravidade da lesão e do tempo de evolução. Na maioria dos casos, o tratamento conservador é muito eficaz, especialmente quando iniciado precocemente.
1 | Fisioterapia e reabilitação A base do tratamento em qualquer cenário. Exercícios progressivos de fortalecimento do glúteo médio, controle de carga e correção de padrões de movimento são fundamentais — especialmente na tendinopatia. |
2 | Infiltração guiada por imagem (corticosteroide e ácido hialurônico) Indicada principalmente na bursite trocantérica com componente inflamatório intenso. O uso de ultrassom garante precisão na aplicação e melhora significativa nos resultados. |
3 | PRP (plasma rico em plaquetas) Especialmente indicado em casos de tendinopatia glútea com degeneração tendínea. Os fatores de crescimento do PRP estimulam a regeneração do tecido e podem romper o ciclo de dor crônica. |
4 | Cirurgia artroscópica Reservada para casos com ruptura parcial ou completa do tendão glúteo que não respondem ao tratamento conservador. Por artroscopia, é possível liberar a bursa, desbridar o tendão e, quando necessário, realizar o reparo com incisões mínimas. |

Perguntas frequentes:
Posso continuar praticando exercícios com dor no trocânter? Depende do tipo e da intensidade do exercício. Em geral, atividades que causam compressão lateral — como cruzar as pernas, correr em superfícies inclinadas ou fazer exercícios com adução forcada — devem ser evitadas durante o tratamento. Caminhada em plano e natação costumam ser bem toleradas. |
Dormir de lado piora a tendinopatia? Sim. Dormir diretamente sobre o lado afetado comprime a região e pode intensificar a dor. Uma estratégia simples é colocar um travesseiro entre os joelhos para reduzir a tensão sobre os tendões glúteos durante o sono. |
Quanto tempo demora para melhorar? A bursite trocantérica com tratamento adequado costuma melhorar em semanas. A tendinopatia glútea é mais lenta e o processo de recuperação tendínea pode levar de 3 a 6 meses de fisioterapia consistente. |
A cirurgia é frequente nesse tipo de problema? Não. A grande maioria dos casos responde bem ao tratamento conservador. A cirurgia é reservada para rupturas tendíneas significativas ou casos que não melhoram após meses de tratamento adequado e bem conduzido. |
Dor na lateral do quadril que não melhora?
O diagnóstico correto é o primeiro passo para o tratamento certo. Na consulta, avalio se a sua dor é bursite, tendinopatia glútea — ou as duas — e indico o caminho mais eficaz. Atendo presencialmente em Porto Alegre e realizo consultas online para pacientes de todo o Brasil.





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